quinta-feira, 4 de março de 2010

O QUE É ENVELHECER ?

O que posso dizer sobre o envelhecimento dentro de uma sociedade em que a estética está em evidência, e que a velocidade de raciocínio rápido e adaptação às mudanças tecnológicas diárias se fazem necessárias?
È simples você só envelhece se estiver sempre em desacordo com o que de novo vier a surgir. Isso sim é envelhecer. É passar do conhecimento para o desconhecido, simplesmente porque não quer se atualizar.
Na clínica psicanalítica o que observo é que o envelhecimento se faz à partir do momento em que o outro nos diz: VOCÊ ESTÁ VELHO ! Isso pode ocorrer em qualquer fase da vida, mesmo na infância um colega para implicar com outro pode fazer uso dessa frase e o sujeito acreditar. È óbvio que essa repercussão se fará com muita mais eficácia se tiverem com mais de 50 anos. Então o que é envelhecer?
Na verdade envelhecer é um processo de mudança que começa desde a fase embrionária até o momento em que finda a vida. Porém só entendemos o envelhecimento quando alguém nos aponta e não quando realmente o sentimos.
Os sintomas físicos do envelhecimento como dores, incapacidades, limitações, tudo isso pode ocorrer em uma idade mais jovem, e nem por isso nos sentimos velhos, a não ser que venha alguém e diga: VOCÊ ESTÁ VELHO! E VOCÊ ACREDITA!
É obvio que não estou querendo dizer que com o passar dos anos nós não venhamos à envelhecer. Algumas pessoas já se sentem velhas ou incapazes de determinadas tarefas e funções com 20 anos de idade, outras porém podem continuar produtivas e eficientes até os 80 anos ou mais. Isso variando com fatores genéticos, culturais e sociais. O grande problema desse conflito é que o que se vende na mídia é que o sujeito não pode envelhecer na aparência, ou seja, há de se manter jovem custe o que custar, caso contrário o sistema irá te descartar. Porque Isso? Por que há uma necessidade de consumo de produtos contra rugas, osteoporose, cabelos brancos e tudo o mais que possa se vender para esse público que passou dos 50. Que bom que temos todos esses produtos para nos mantermos aparentemente jovens. Mas não devemos esquecer que não envelhecemos somente por fora e sim por dentro, tanto fisicamente como emocionalmente, pois como disse existe sempre alguém para lembrar que: VOCÊ ESTÁ VELHO!
O que fazer para viver e entender a vida após os 50 anos?
Olha só! Como você está bem conservado! Nem parece que tem 60 anos! São essas as palavras gentis que ouvimos por ai. Ora, que eu saiba bem conservado são os enlatados, o leite longa vida e o bacalhau salgado. O que acontece conosco e que uns são acometidos por algumas doenças ou não levaram suas vidas de acordo com seus mais profundos desejos e outros não envelheceram tão rapidamente, pois tiveram outro entendimento no decorrer de sua existência.
Uma das principais causas do envelhecimento psíquico se faz logo após a aposentadoria, e para que isso não venha a acontecer se faz necessário que o sujeito se programe e adie por mais tempo possível o seu projeto de aposentadoria e mesmo depois de se aposentar não deixe de dar continuidade a sua vida produtiva, que pode ser dentro da mesma profissão ou até mesmo inicializando uma nova, quem sabe até um sonho não realizado, já que os filhos já estão criados e o tempo é mais disponível. Mas para que tudo isso ocorra é necessário que se tenha um entendimento da vida, o que seria isso? Seria um entendimento desde a sua concepção até o dia de hoje. Mas como ter esse conhecimento se não me lembro de quase nada? Através da psicanálise a princípio e de sua própria autoanálise mais adiante. E o que é isso? Isso ocorre nas sessões analíticas e continua após com o próprio sujeito se questionando e se autoanalisando como ele chegou até aqui dentro de uma civilização exigente e caótica e mais, dentro de um contexto familiar neurótico (nas melhores das hipóteses), pois quando esse contexto familiar chega à psicose, a coisa é um pouco mais complicada.
Para Freud a psicanálise só poderia ajudar aquelas pessoas que ainda não tivessem completado os 50 anos de idade, pois após esse período os conteúdos infantis já não poderiam ressurgir nas sessões psicanalíticas e os traumas ali instalados não poderiam ser solucionados. Bem isso foi há mais de 100 anos atrás e a perspectiva de vida na época era em torno dos 60 anos de idade. Porém nos dias de hoje (creio eu) que devido às mudanças ocorridas no século passado, passamos a ter um entendimento melhor e uma liberdade muito maior que nossos avós e bisavós, além de todo esse aparato farmacológico que nos mantém ativos (física e mentalmente) por mais tempo. Na minha clínica de atendimento, não vejo o porquê limitar a análise em qualquer fase da vida, desde que a pessoa possa expressar seus desejos e anseios vividos ou não vividos, pois afinal de contas ninguém vai passar por essa vida completamente realizada, mas também não precisa sair dela sem ter tirado o mínimo de proveito. Certo? Atrevo-me até a dizer que os desejos que muitas das vezes deixamos de lado (Princípio do prazer)* em função das exigências familiares e sociais (Princípio da realidade)** só podem ser vividos a partir de uma determinada idade, quando não estamos sobre a tutela de nossos pais e nem com as obrigações diárias com nossos filhos.
Aí você me diz. Sim Luiz Fernando! Porém agora já envelheci e não tenho mais aqueles atributos que tinha quando mais jovem.
Realmente, pode até não ter, mas possui uma liberdade e uma maturidade invejável que somente aqueles que sobrevivem as loucuras da juventude podem ter. Ou você acha que é todo mundo que envelhece? O que você prefere? Viver de forma desordenada na juventude e findá-la prematuramente ou manter certo grau de responsabilidade sem deixar de viver a vida chegando a uma idade mais avançada e usufruir de sua sabedoria e entendimento, vivendo plenamente (cada qual dentro de suas limitações) os anos que lhe restam? São essas as grandes perguntas e questionamentos da maioria das pessoas. Mas para isso é necessário que se entenda e aceite as escolhas vividas ou não dentro de sua existência e assumir perante a vida o caminho escolhido não ficando refém da ESCOLHA BIFURCADA Y.
O que é escolha bifurcada Y?
A escolha bifurcada é quando o sujeito ao passar a meia idade ( por volta dos 50 anos em diante) fica se questionando se sua vida não teria sido melhor se ele não tivesse seguido o outro caminho da Y. Ora se em todo o momento em que acharmos que algo não saiu como planejávamos formos usar esse tipo de estratégia psíquica para justificar a possível escolha errada,não faríamos mais nada. Não existe uma forma correta de acertar em todas as escolhas, por mais que tentemos nunca acertaremos totalmente e mesmo que acertemos sempre ficará aquela dúvida se fosse de outra maneira não seria melhor?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A PRIMEIRA VERDADE.

O conceito de PRIMEIRA VERDADE, parte do princípio que o analisando ao se encontrar na sessão, tem o seu primeiro insight, onde a sua primeira verdade ( seja ela real ou imaginária) é dita ao analista. Verdade essa nunca dita a ninguém, pois nem mesmo o analisando a conhecia, podendo ser essa verdade o retorno do recalcado ou alguma ligação com ele. A PRIMEIRA VERDADE, não é a última, a não ser que o analisando diante dessa nova realidade não dê continuidade a sua análise. (O que é compreensivo, pois quem realmente quer saber a verdade? Poucos creio eu.)

Se o analisando inventa essa verdade, é obvio que ela não é a PRIMEIRA VERDADE e sim mais uma de suas mentiras encobridoras. Porém se ele acredita nessa verdade, mesmo que ele não saiba que ela é da ordem da fantasia, essa verdade se faz real, ou seja ela é denominada PRIMEIRA VERDADE IMAGINÁRIA e o analista tem que aceitá-la até que o analisando perceba que essa verdade não é tão verdadeira como ele achava. Para que isso ocorra haverá de existir uma segunda verdade para contradizê-la. Verdade essa que tem de se autorizar através do auxílio do analista sem que o analisando se sinta desautorizado, já que essa verdade imaginária não possui toda essa autoridade, pois na verdade essa verdade imaginária nada mais é que um artifício dos mecanismos de defesa para ocultar a PRIMEIRA VERDADE REAL .

Em suma: A PRIMEIRA VERDADE, se divide em duas: PRIMEIRA VERDADE REAL e PRIMEIRA VERDADE IMAGINÁRIA.

Luiz Fernando R. Alves (Psicanalista)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O que é psicanálise?

Segundo o seu criador Sigmund Freud (1856-1939) que forjou o termo ao mesmo tempo que divulgava a sua descoberta, declarou da seguinte maneira: Chamamos de psicanálise ao trabalho pelo qual levamos à consciência do doente o psíquico recalcado nele.” Para Freud a psicanálise veio atender a necessidade do sujeito (analisando) a trazer ao nível consciente o que estava recalcado em seu inconciente. Para isso utilizamos técnicas que somente a psicanálise sabe como fazê-la.
Por que devo fazer psicanálise?
São vários os motivos que levam o sujeito ao psicanalista. Entre eles está a sua incapacidade de lidar com os impulsos internos que o impedem de levar uma vida de forma integrada com o seu meio. O sofrimento nos relacionamentos pessoais /familiares e sociais são os principais motivos.
Quem é o sujeito Psicanalista?
O psicanalista é o profissional com formação acadêmica em diversas áreas de saúde (Medicina, Psicologia, Fisioterapia, Enfermagem, etc.) que deverá ter uma formação de Psicanálise Clínica em Escola ou sociedade formadora.
As sessões de psicanálise podem variar de uma a mais vezes por semana, isso de acordo com o tempo e a necessidade de cada paciente. 
Quando  a psicanálise foi criada por Freud, ficou determinado que o tempo de cada sessão seria de 50 minutos, porém muitos analistas atendem por 60 minutos, já o tempo de tratamento pode variar de acordo com cada caso levando-se em conta a capacidade individual de cada paciente em evoluir dentro de sua análise. Porém o mínimo é de seis meses, podendo levar anos até o final para que se possa ter algum resultado. Com relação a alta do tratamento é dada pelo psicanalista a seu paciente em comum acordo, podendo se retomada novamente caso o paciente sinta necessidade e o psicanalista concorde.
O princípio e regra fundamental para o sucesso no atendimento em psicanálise é que o paciente seja o mais sincero possível e confie no seu psicanalista, para que juntos possam resolver as questões que o trouxeram ao consultório.
por: Luiz Fernando R. Alves

Pesquisar este blog